terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vitória folgada até à folia final!






Sporting 1:4 Benfica

O tempo vai flutuando sobre as nuvens, o semblante denuncia as influências temporais, atolados em rotina e imposições sociais, vamos absorvendo a luz, tentando agarrar o futuro e a esperança, submersos numa infinita fragilidade…

Vivemos num tempo cada vez mais instantâneo, diluido pelas parangonas da impressa, que relatam os fúteis episódios da vida real com os instituídos poderes. O Portugal atlântico, de vistas largas e alma profunda, manietado pela uniformidade continental e crise de identidade, vai desmoralizando perante a ausência de valores ou superior aspiração…

Depois da noite de desilusão em terras do Sado, das declarações normais do timoneiro Jesus, corolário de alguma consternação e enredo jornalístico, ficamos a saber que o Comandante do Arsenal bracarense ficou sentido com a afronta e, no seu entender, pretensiosa afirmação. Ficámos a saber que a táctica adoptada pelo clube de Braga é a mesma dos insignes e eternos rivais: vitimização e preconceitos, ódio indelével pela nossa Instituição…

Perante este incomodo cenário, todos clamam uma maior moralização do futebol, valorização do espectáculo, rentabilização do negócio, mas todos se digladiam em palavras e insinuações, atacando os órgãos gestores, de regulamentação e os directos intervenientes, defendendo, até à exaustão do ridículo, a predilecção e a vitória do seu clube… O Benfica, neste cenário assombroso, afigura-se o denominador comum de tanto rancor e perturbação, todos disparam na direcção do encarnado, é só dar atenção aos maçadores debates telivisivos (vou deixar de ver estes reiterados atentados e faltas de consideração) sobre a distinta modalidade… e tão somente o Mais Futebol!

Por falar em Modalidades, no Domingo fui assistir, com os irrequietos catraios, a mais uma vitória do Andebol, depois de um começo avassalador, deixamo-nos envolver por alguma ansiedade mas soubemos sempre dominar a ambição forasteira. Neste fim de semana, aliás, ganhámos todos jogos disputados, nos desportos intitulados amadores, o que nos dá muito estimulo e orgulho para o futuro…

Ainda fomos apanhados por alguns aguaceiros, que foram sendo cada vez mais persistentes com o anoitecer, anunciando o desfecho de mais um fim de semana. Na manhã seguinte mais uma volta na roda do carrossel, apesar de tudo animados pelo falso estio, pois as nuvens amontoam-se e passam ligeiras empurradas pelo tempo. Algumas ainda se zangam e desatam a chorar, mas a sua fúria vai esmorecendo e abrindo clareiras para o fogoso sol.

Nesta ambiguidade climática, ainda a uma semana da festa do Entrudo, apesar do vulcão já expelir laivos de irreverência e alegria bem no centro do reinado do carnaval brasileiro, chegámos ao derbi capital, o jogo que iria ditar o finalista da Taça da Liga, no seu segundo ano.

Só uma das equipas podeia repetir a final, e agora ficámos a saber que apenas uma pode repetir a proeza de arrebatar o troféu. Era um jogo emotivo que iria exigir grande entrega e determinação, por todas as razões, o Sporting queria vingar o amargo desfecho passado, aproveitando para fazer uma terapia à sua depressão… mas o João Pereira, imaturo e irreverente, de metal na boca, quis tratar um lance à lei da bala e isso condicionou bastante as legítimas intenções leoninas. Como se não bastasse o castigo da inferioridade numérica, este livre deu ainda direito a ganhar superioridade no marcador, com a torre de David a ditar a sua lei com a benção de Deus...

Os jogadores do Sporting apesar de tudo deram uma boa réplica, esforçaram-se, apesar do incentivo no facilitar do golo, que teve o condão de espevitar mais um pouco o Liedson, afinal tem a Africa do Sul como horizonte motivador, o Moutinho mostrou raça e caracter, mas numa equipa ferida e diminuida era dificil fazer melhor...

O Benfica começou por jogar com algumas alterações, na defesa as torres estiveram ao seu melhor nível, o golo alcançado realçou e premiou as duas exibições, o César e o Ruben são dois jogadores experimentadíssimos, dispensam apresentação, o Carlos esteve mais possante que no jogo anterior, o Javi e o Ramires são os operários mais distintos da companhia, o Di Maria esteve ao seu melhor nível, mirabolante, mas não conseguiu o derradeiro chuto, de conclusão ou serviço de bandeja…

Os únicos dois elementos em sub rendimento foram os avançados: o Eder nunca conseguiu pegar no jogo, pecava sempre por excesso de intervenção ou despelicência, e o Kardec, apesar de se notar pinta de jogador, ainda não teve oportunidade de se mostrar. Com tudo isto, claro que no último terço, a falta do Saviola e do Aimar vieram ao de cima, talvez o Kardec possa ter titularidade ou o ensejo de jogar com eles noutra ocasião.

O Cardozo entrou para ganhar ritmo e adquirir confiança, e não podia ter resultado melhor, a dada altura, na presença dos dois intrusos menores, que dividiram comigo o sofá, no relato lúdico da partida, depois de ter dito o quanto era importante o Cardoso marcar, para reparar a auto-estima, eis que um excelente pontapé proporcionou um grande golo, que lhe voltou a por um sorriso na cara, depois de a ter crido tapar no último sábado.

O Ruben está a ganhar forma, é um jogador seguro, com sentido táctico excelente, e o Peixoto esteve muito bem no ataque, mas o Benfica tem que ter atenção nas percas de bola, se a outra equipa defende alto, porque o Di Maria, principalmente, não é muito de defender, e o Javi está a ser muito importante nas tarefas defensivas, tal como o Ramires que, já se sabe, tem uma entrega inexcedível, mas quando o Garcia cumprir os 2 jogos ou o Ramires não poder jogar, é importante montar uma estratégia coesa e com a mesma rentabilidade…

Agora, enquanto ficamos à espera do adversário da primeira final da época, temos que começar já a preparar o próximo jogo com o Belenenses, com um grande rigor e empenhamento. É o jogo mais importante que temos pela frente, para consolidar a liderança, pegar de frente os cornos deste campeonato, sem melindrar ninguém, para poder ficar mais confortados à espera do desfechodo da partida do Dragão, na 20ª jornada. Não podemos facilitar, temos que abordar com brio e categoria o jogo de Sábado, na presença de uma esmagadora falange de apoio, para catapultar o Benfica lá para cima, à custa de excelentes índices competitivos e exibicionais

Força BENFICA, só a atitude e o sacrifício nos farão atingir a glória de campeão! Nós estamos a torcer por ti!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Estivémos à beira dum bonfim!





V. Setúbal 1:1 Benfica

O tempo amainou, depois da noite em que andámos a cantar à chuva, para os lados de Benfica, o final da semana foi despontando com a cara lavada; alguns chuviscos ainda resistiram, mas a meia-lua que foi vista de supresa na manhã de 6ª-feira, dissimulada por entre os brancos salpicos que tingiam o céu, vieram por termo a qualquer indecisão...

O Sábado, apesar de tudo, deixou-se enlevar de novo pela preguiça, acordando no denso nevoeiro que se juntou na madrugada e que tinha amarrado o sol num denso e fresco veu. Lentamente, sai da toca, para me perder no tempo, não pudia desmarcar o treino físico semanal, tinha que encher os pulmões de ar, esticar as pernas, punir o corpo para compensar alguns excessos que o juizo da cabeça não perdoa. Antes, passei pela barbearia, a loja mais típica do bairro, para um corte de cabelo e um dedo de conversa e, sem mais demora, fui ao encontro da fresquidão e vida natural do parque.

O espaço aéreo estava mais reduzido, as gaivotas e os cisnes cancelaram alguns voos, era pouca a movimentação, o circuito fugia do alcance, mas não hesitei em percorrer o perimtero habitual, mesmo sem o olhar sobranceiro e fortificante do Cristo, a música espiritual de Enia ia atenuando a barreira visual, embalando nas asas do pensamento por cima do opaco horizonte.

Depois do almoço, o sol começou a desenvencilhar-se da penumbra, usou todo seu calor para trespassar e desfazer a arrefecida atmosfera e sorriu,mesmo com ar de pouca dura… Para cumprir mais um ritual desportivo, levámos os pequenos às piscinas da Luz. Nos pavilhões, ao lado, iriam decorrer outras modalidades e aproveitei para comprar os bilhetes para o Andebol do dia seguinte, antes do regresso a casa.

No adiantado entardecer, fomos a pé, ao encontro da noite, primeiro tomamos o metro e depois de mais uma caminhada, para sentir a liberdade da rua, fui visitar os queridos progenitores, prestar-lhe o apoio habitual.

Já com a noite cerrada, depois de ter ouvido no rádio, o “piu-piu” do Patrício (os desaires já não fazem moça no estado debil do meu pai, que denuncia a avançada idade, repleta de outras mais importantes agruras), e aos poucos também já se vão acostumando os demais aficcionados. Claro que não quero o mal dos outros, antes pelo contrário, tenho alguma simpatia pelo riscado verde, mas a mim o que interessava era o jogo da noite, na cidade de Setúbal… com o voo da Aguia...

Depois duma curta boleia, também não convém abusar da fadiga, fechei-me em casa e preparei-me para assistir ao jogo glorioso. As televisões transmitiam as diversas programações, vampiros, dysney e o tão empolgante futebol que se vai jogando por esse Portugal. O Benfica passava, pela segunda vez, o Tejo, e ia jogar à cidade azul, do rio com golfinhos, da arrábida montanhosa e do saboroso peixe na gastronomia...

O Benfica não tinha outra alternativa se não ganhar, cavar distâncias para os segundos, ganhar supremacia, através dos pontos da vitória e da moral do seu poderio. O Carlos voltava, estava numa fase boa, o Ramires tinha que se poupar, de resto eram os mesmos futebolistas que nos tinham brindado no jogo do meio da semana. O público não aderiu com muito entusiasmo, a mancha encarnada também não se fazia sentir perante os ruidosos vitorianos.

Mas desde logo se viu um Setúbal a defender com unhas e dentes, a cerrar fileiras, espreitando o contra-ataque pelo Keita e o Helder - os jogadores do Porto emprestados são mais do que muitos, podem não jogar no seu clube, mas vem ao de cima a injecção que levaram para ter mais força quando encontram o Benfica. Ainda assim, a posse de bola foi esmagadora, mesmo que em remates, ataques e auto-golos, a estatística estivesse dividida.

O Manuel Fernandes estava danado para fazer perder pontos ao Benfica, a sua genica e impetuosidade, os videos…, já em Leiria nos tinha feito suar as estopinhas, hoje com o mesmo Jorge Sousa, a assinalar o penalti que nos possibilitaria também ganhar, com todo o mérito, apesar de alguma ténue apatia, o que é certo é que temos que nos preparar também para estas estratégias mais destrutivas, e onde é que andava ainda este resistente e famigerado defesa do Bessa...

Viu-se um Aimar a querer entrar no jogo mas um Saviola demasiado escondido no emaranhado de jogadores sadinos que preenchiam o meio campo defensivo. O Carlos não teve no seu melhor, a bola não fluia, não circulava com a segurança e a rapidez aconselhada, talvez pela falta de espaço e de inspiração.

A segunda parte começou num grito de guerra, com o Aimar a incentivar os colegas mas apesar do meritoso esforço não conseguiam chegar com muito perigo junto do Felgueiras. Os de setúbal ia deixando-se cair, o Di Maria sobressaiu, com o apoio do Fábio, entrou várias vezes pela área, mas o cruzamento não sai fulminante nem certeiro, as recargas não atingiam o alvo, as torres da casa não permitiam grande veleidades às torres da luz e o jogo foi-se arrastando pelo tempo e pelo empate…

O Jesus apostou tudo, com a entrada do Nuno e do Kardec, mesmo sem o Maxi, o Saviola teve que aparecer mais na tarefa de transporte de bola, mas os centros não saíam, as bolas não sobravam, os da casa estavam cada vez mais confiantes perante o crescente esmorecimento encarnado…

Eis que no último minuto, quase à beira do fim, tivemos a chance de termos um final feliz, com o lance de penalti sobre o Kardec. Já se viu que o Cardozo não é um jogador muito estável mentalmente nstes lances decisivos, porque é que não apostaram na classe e na segurança de outro jogador?! Nem mesmo a corrente de fé e oração que fiz com os meus filhos, a evocação da importância deste golo para as contas do campeonato, para continuarmos mais firmes na frente visando a conquista do título, foram suficientes sentidas ou concedidas por Deus...

A dupla soberba de comentadores da RTP, sabem tudo, acham-se muito bons, e depois dizem disparates do género "o árbitro volta a decisir um jogo do Benfica, apontando uma grande penalidade", e mais ainda que "o empate aceita-se, era injusto o Setubal perder", mas será que fui só eu que vi o caudal ofensivo do SLB, mesmo termitente, e a passividade, quase permanente, do VSC?!...

Mas não podemos desanimar, nem perder a fé, amahã é outro dia, afinal o Braga tem que ganhar todos os jogos, inclusive no FCP, e este não quer ficar de fora da Champions, e nós ainda temos que jogar com os dois, ainda vai correr muita água debaixo da ponte, ainda temos que lutar bastante física e mentalmente mas, a crença este ano é muita, só temos que agarrar a oportunidade, no próximo Sábado é importante irmos apoiar em massa o Benfica na Luz, para ajudar a alcançar outra importante vitória…

Antes, na 3ª-feira, espera-se que venha a ser um bom jogo, o Sporting de rastos, vai querer ressuscitar contra o Benfica, vai querer passar de cobaia para predador, vai ser a reedição da final do ano passado, no campo de alvalade, espera-se que o Benfica demonstre o seu ascendente, saiba impor a sua soberba e qualidade, mas à custa de muito empenho e humildade…

FORÇA BENFICA!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Noite de luz, glória e união!





Benfica 3:0 U. Leiria

Depois da ressaca de sábado à noite, o abençoado oitavo dia serviu para restabelecimento e descompressão, apesar da tímida luz soalheira não elevar muito o espírito, tentamos equilibrar o ânimo com a religião. De repente, chegou-nos o convite para outra semana de trabalho, mascarada já de Fevereiro, com um cenário primaveril, para aliciar a vista, apesar da inevitável resistência ao ar arrefecido do inverno...

Para quem se aventura ou é forçado a calcurrear os passeios, vagueando a pé ou pelos rectilíneos carris, é preciso enfrentar o ambiente, o corpo retribui energia em proporção da exaustiva marcha e o tempo radioso ajudou a desbravar o caminho. Os dias aproveitam para se espreguiçarem mais um pouco antes da noite abençoada pelas Candeias de Nossa Senhora, que nos alumia a esperança, nos conforta no enlevo de um serão cheio de luz e amor… mesmo que fosse de má memória para os leões, que pela sua tenra fragilidade mental, fizeram acordar o Dragão…

Com dois dias majestosos de sol, mesmo prevenidos pelo provérbio religioso "o dia a sorrir adivinha um inverno ainda para vir", as repentinas alterações de sumbissão solar não se fizeram esperar e um volte face abrupto haveria de transformar a 4ª-feira num dia cinzento e transfigurado. E a tristeza não haveria de ficar só pelo céu, o esmorecimento na terra foi ainda maior quando, logo de manhã, numa pequena e inofensiva transgressão rodoviária, para encurtar a distância da escola e ludibriar o tempo que faz soar a campainha, as pressas se transformaram numa valente reprimenda da autoridade, com direito a perseguição, auto de contraordenação, multa pecuniária, um abanão geral...

A seguir à punição e penitência matinal, antes ainda do chuvoso desgosto que apareceu depois da pausa para a refeição e da lufada de ar fresco, eis que haveria de surgir uma boa notícia para me ajudar a aliviar a tensão, a oferta de um bilhete para a bola. A tarde continuava chorosa, mas a alegria estava a reconquistar aos poucos o meu coração, os maus momentos tem que ser relevados e a ansiedade é um bom tónico para essa regeneração...

A precipitação suspendeu a actividade, antes da noite cerrada, quando entrámos na Capital, em sentido contrário das enormes filas que seguiam na direcção da Ponte e fomos estacionar na periferia do luzidio monumento da Luz. Seguimos o foco de luminoso que denunciava a Catedral, fizemos uma breve passagem pelo Colombo, o grande navegador que deu o nome ao centro comercial adjacente, e fomos de encontro ao grande palco, para visitar a outra armada, quase invencível, que está a desbravar o campeonato, com grande galhardia e determinação, tentando conquistar novos títulos, alcançar a glória nacional.

Entrámos no campo, ainda meio despovoado, com uma alegria enorme, uma chama imensa, no relvado verde já treinavam os craques, os top jovens e os internacionais… tudo sobre o olhar atento do Almirante Jesus. A vibração foi gradual, com o speaker a apelar à sintonia, o voo da águia emocionante, o colorido berrante, o cântico do hino…

O jogo começou a um ritmo lento, os leiriense, sem claque nem audácia fechavam-se a sete chaves, o guarda redes pontapeava as bolas pelo ar para chegar ao outro meio campo, apesar de tudo, mesmo sem fazer qualquer jogada corrida, foram conseguindo alguns cantos mas, os jogadores encarnados trocavam a bola a seu belo prazer, lá atrás, procurando pausadamente a confiança ou alguma jogada mais certa numa brecha forçada ou existente…

Eis que de repente, com 10 minutos decorridos, o Saviola resolve vir à esquerda, pega na bola, no seu jeito característico, entra pela grande área, sempre em progressão, faz uma tabela com Aimar e centra para a cabeça do goleador Cardozo, colorário de uma magnífica jogada de futebol: “espectáculo!”, gritei eu... Depois o Luisão, o Cardozo e o Di Maria ainda poderiam ter feito mais um golo, o Leiria limitava-se a defender a margem mínima...

A segunda parte começou com mais um forcing na procura de outro golo, para dar mais tranquilidade, e quem mais, Saviola, depois de um passe do Fábio, para desfeitar a baliza da União… seguiram-se mais jogadas de perigo (o Benfica é uma máquina de fabricar golos), o Leiria tentava esticar mais o jogo, mas quem chegou também foi a chuva miudinha, abençoada, logo a seguir ao 2º golo, para fazer parte da diversão, assistindo com envolvência até ao apito final...

Antes, ainda tivémos que tirar o chapéu ao golo do Ruben Amorim, bater palmas ao homem do jogo: Saviola, ao Ramires e ao Aimar e, já no final, os agradecimentos merecidos e calorososos para todos os protagonistas, num derradeiro grito de guerra para exteriorizar a satisfação…
Como a chuva não acalmava, tentei ainda, em vão, agarrar a bola pontapeada pelo Fábio, mas a inevitável e lenta despedida teve que ser percorrida com improvisados resguardos, num passo acelarado, ziguezagueando por entre pessoas e obstáculos, com sentido no aconhego do carro… finalmente chegava à quentura da casa, atingia o prazer e a paz plena com o reencontro da família…

No Sábado à noite, na pensínsula de Setúbal, na cidade do Sado, vamos jogar mais uma final - já só faltam 12 batalhas para o Benfica erguer mais alto o seu nome, enaltecer a bravura deste povo atlântico, humilde e ambicioso, magnânima alma que anseia por mais este feito de exaltação…

Eu, amo o Benfica...!

sábado, 30 de janeiro de 2010

O Conquistador chegou a Lisboa!





Benfica 3:1 Guimarães

A luz do sol voltou a empoleirar-se nos telhados, deslizando suavemente pelo frio betão das fachadas dos altos condomínios, visitando manhãzinha o bulício das congestionadas vias da cidade, clareando o olhar e aquecendo o coração…


No fastidioso quotidiano matinal, avistamos da periferia, o brilho solar da cidade prazenteira que vai descendo pela colina, do alto do Cristo acolhedor, de braços abertos, abençoando o vale dourado por onde começamos o dia…

Foi com este cenário resplandecente que a semana foi avançando, a última do primeiro mês, da nova década, com os itinerários e costumes habituais, a primeira paragem para deixar os instruendos à mercê do mestre-escola, a segunda para largar os passageiros nos respectivos locais de trabalho…
Enquanto os primeiros vão aprendendo as letras e a história, os mais velhos pôem-se ao serviço da comunidade, no aquecimento interior, com as imagens solaregas que se avistam da janela, confortados pela comodidade e pelo bem prestado…

Com o findar da semana, as névoas foram surgindo no horizonte, desafiando o sol, de mãos dadas reconquistaram o celeste azul, mas não tiveram a força suficiente para esmorecer em demasia a atmosfera ou fazer chorar o céu…
Foi com este bucólico quadro da natureza, no fim de Janeiro, que saí para a rua para enfrentar mais um fim de semana, em vez de ficar à esperar da luz amarela ou que os dias passem por mim.

É a altura para as reuniões anuais dos Condomínios ou das Associações: apresentar contas e dar a conhecer todas as actividades. Logo depois do burocrático agrupamento, seguiu-se a hora do atletismo no ecológico parque das redondezas. Voei como as livres gaivotas que planam sobre o pequeno lago, nadei como os patos e gansos no fresco das águas ou procurei alimento no viçoso verde em redor, serpentendo pelo delimitado carreiro entre plátanos, de troncos nus e amarelecidos e pinheiros verdejantes, aquii e acolá erguem-se harmónicas construções de pedra que convidam ao lazer e recreio. O Cristo continuava altaneiro, ao cimo da muralha do casario que o circundava em redor.

A tarde continou com actividades desportivas, desta vez com um grande treino de futsal, num ringue ao ar livre, a fazer lembrar os velhos tempos, dos grandes torneios ou esporádicas partidas de arreigada competição. Desta feita, a três, qual enferrujado treinador, incentivando os pupilos para a prática da modalidade, aliando o saudável com o esforço e a diversão. É preciso sair do sofá, largar a consola e o teclado, dar uns pontapés na monotonia e na morbida mobilização.

Seguiu-se a prova de natação, com a travessia das pistas aquáticas do Benfica, uma visita para reconhecimento do ambiente que se fazia sentir no complexo da Luz, e o regresso ligeiro, para garantir um lugar em frente do panorâmico televisor, pois o trabalho já apalavrado, atraiçou uma derradeira tentativa de assistir ao vivo; em alternativa, com alguma antecedência fez-se a reserva, com direito a jantar, em frente do gigante televisor, numa ampla sala familiar...

O convívio entre parentes, a vista priviligiada para o écran, o descontraido ambiente que se fez sentir, foram um excelente pronúncio para aquele forte relacionamento e para a partida que se iria visualizar. Apesar do anfitreão ser leão, do sobrenatural vespertino e do sapo que não conseguiram transformar em príncipe, afinal, a solidez e a confiança bracarense fizeram a diferença, não fora o cisco no olho do Liedson no momento do remate à baliza ou o cabelo nos olhos do Veloso (por causa do novo penteado) no momento em que resolveu tirar a bola ao Paulo César.

Ainda antes do jogo da noite, vimos que o Machado, lá na Choupana do engenheiro e das ponchas, regressou em excelente forma, num saudozo discurso carregado de ironia e inimizades, mas afinal a eloquente explicação para a perda, teve alguma razão de ser, a dualidade nos penalties e a duvidosa expulsão… mas, não se pode ter tudo, o dinheiro dos negócios, o estádio remodelado, o ídolo com pés de barro ao lado e o resultado no futebol, talvez mesmo só no FIFA 10, provavelmente um dos melhores jogos de vídeo!

Com tudo isto crescia de emoção e importância o jogo de Lisboa. Na Capital, estava tudo a postos, na margem sul também, os pratos recheados, a boa companhia, qual restaurante com vista para o relvado da Catedral. Desde logo o Benfica entrou confiante, mandador, empolgado, o Guimarães, um pouco cinzento, o mesmo guardião, com a armada defensiva, ao contrário da estratégia do antepassado conquistador, à espera de desferir o golpe fatal, na expectativa de repetir um dos últimos resultados.

Mas o grande Aimar, haveria de aparecer, num lance de génio, toda a equipa mostrava impenho e confiança… mas o futebol é fertil em contrariar lógicas, qualquer lance fortuito pode transformar-se em excepção à regra da estatítistica. O Benfica universal e glorioso, de uma família imensa e sentimental é também de antigos jogadores revoltados ou mal amados, que tudo fazem para regressar e vingar o seu orgulho pessoal. O Assis até nem foi bem o caso, evoluiu no Benfica, foi campeão com o Quim, o Luisão…, mas parece que tem especial gosto em marcar ao Benfica e conseguir uma boa exibição… e a primeira parte terminou com o Helmano a dividir cartões, entre faltas maiores e menores, em Portugal recorre-se muito à simulação, as novas tecnologias se pudessem medir a intensidade, recorrendo ao movimento e lei da física, metade dos lances não eram marcados, mas os jogadores moldam-se ao critério dos arbitros, muitos se calhar nem jogaram ou não davam para o futebol…

A segunda parte não podia começar da melhor maneira, com a sobremesa perfilada, eis que surgiu o golo da vantagem, depois dum magnífico remate do Carlos Martins. O jogo foi seguindo a bom ritmo, o Guimarães mais afoito, motivou-se para procurar nova igualdade, e o espectáculo só ficou a ganhar.

E foi assim que surgiu o lance do jogo, um remate do meio da rua, indefensável, um dos melhores golos do campeonato, corolário de uma magnífica exibição, comprovativa do bom nível que o Carlos Martins atravessa. Claro que deve resfriar os protestos incontrolados, a sua impetuosidade tem que ser direccionada para arte de bem jogar, abstraindo-se da arbitragem e concentrando-se exclusivamente no futebol.

E foi com um jogo amplo, a toda a largura que o Cardozo ficou isolado, correndo do meio campo até à grande área contrária e teve o ensejo de marcar mais um golo, mas, algo lento e perdulário, hoje não era dia para marcar, não esteve especialmente inspirado.

O Saviola esteve ao seu melhor nível, o Di Maria não conseguiu tirar da cartola a sua irreverência e criatividade, o Fábio esteve coeso e cumpriu em pleno, o Luisão é o porta standart da equipa, e todos estiveram a uma boa prestação: os campeões fazem-se pela entrega e solidariedade, pelo trabalho colectivo, nuns jogos com melhores exibições individuais ou rasgos particulares, noutros, com uma grande entreajuda ou lances de levantar os estádios, mas são tudo ingredientes que fazem falta para conseguir a melhor receita, com vista à confecção do prato divinal: Campeão à moda do Benfica…

Está a aproximar-se o combate final, a 13 Rounds, todos os pontos e demonstrações de fraqueza são importantes, afinal, nem o Sporting amanda a toalha ao chão, pelo menos evitam o assunto, pois que o sentimento é geral; o Porto, vem a correr por fora, mas não se pode esquecer que terá de ganhar todos os jogos, inclusive ao Braga… Nós, temos que continuar a acreditar e a afluir em massa ao estádio, já nesta 4ª-feira para, numa grande corrente de fé e apoio, de mãos dadas, ao colo, como quer que seja, ajudarmos a equipa a levar de vencida o Leiria, passarmos para a frente à condição, continuar a nossa luta…
Ninguém para o Benfica, olé!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Passaste como um rio...!












Rio Ave 1:2 Benfica

... que eu cantei e me deixou aqui, passaste como um rio, e eu não sei passar sem ti...!

O tempo invernoso amainou, foi soltando amarras, apenas algumas névoas de atalaia, foram permitindo a libertação de raios doirados e quentes do sol... o frio, atento ao hostil aparecimento, riposta logo com desembaraço, aliando-se com as sombras, deambulando pelas gélidas vielas que se vão rendendo à chegada da noite...

Na cíclica cadência da estação, vamos imprimindo ritmo às rotineiras acções, o dia vai alargando o horizonte de luz e esperança, apesar do longínquo furor das festas, dos relatos mais desafortunados que vão chegando do outro lado do atlântico, vamos percorrendo na mansidão das pequenas contrariedades, convivendo com o quotidiando, cada vez mais influenciados pela comunicação social, empurrados por um turbilhão de emoções…

Foi assim, que passou mais um fim de semana; mais uma volta por entre o verde prado, meio alaranjado por debaixo do estático arboredo do parque; vamos tentando apurar o físico e a mente, erguendo o olhar pelo altaneiro Cristo-Rei, seguindo o voo das gaivotas e do pensamento … Mais uma volta pelo complexo da luz, onde o Basquete e o Volei deram boa conta de si (e onde o Hoquei haveria de golear), e o regresso pelo lusco-fusco ao convívio familiar, em mais uma travessia para além tejo, no largo passar do rio, em busca de um perfeito e efémero bem estar… e a noite de sábado, ainda teve direito a uma carga de água, audível e feroz, para baixar a fervura daquele serão...

O Domingo, mesmo que não aparecesse com a disposição suficiente para abafar o incidente, foi sabendo negociar umas poucas mas reconfortantes horas de luz... nós, tal como o caracol, fomos passear para fora da caparaça, demos uma volta, pequena e assaloiada pela baia, parámos no jardim, para os catraios porem os "corninhos de fora", confiados no acolchoado relvado e retornámos felizes para dentro da casca, rebolando para o couval...

O resto da tarde, os écrans foram-no absorvendo toda a atenção, fosse em tarefas mais uteis, é preciso contabilizar as despesas do ano passado, seja em tempo lúdico, perante a panfernália de videojogos, seja a assistir a um filme ou ao jogo dos nossos patrícios angolanos, que na CAF, nos foram fazendo vibrar com entusiasmo, tão só pela identidade comum mas também pela excelente prestação…
O desgosto sentir pelo resultado dos "palancas negros", por todo aquele ambiente em redor, apressou o regresso da noite, e quase na hora de entrar em estágio para o grande jogo, ainda foi preciso regressar à rua, para visitar e dar atenção à geração mais avançada...

Sem dar por isso, o jogo estava prestes a começar, a azáfama era relativa, só mesmo pela importância do jogo, pois que não era preciso sintonizar a Web, nem disputar o melhor lugar na sala, deste modo abria caminho para distrair os restantes elementos da casa, isolando-me noutra divisão, com a tv a transmitir só para mim, alimentando o meu ardor e sofreguidão...

A equipa do Benfica apresentou-se na sua máxima força, mesmo com a baliza entregue ao Moreira e o contributo do Carlos no meio campo, todos os jogadores titulares tinham a tarimba e o distintivo de qualidade. A expectativa era saber se iriamos ter um jogo descansado, monopolizador, sabendo que o empate poderia não chegar. Mas o Rio-Ave, jogava com essa possibilidade e defendia-se o melhor que sabia, ocupando o seu reduto, contrariando, como podia, o futebol do Benfica e a sua natural superioridade...

O Cardozo procurava um golo naquele campo mas, ainda não haveria de ser desta, apesar das oportunidades, ainda na primeira parte, fez as duas assistências para os golos encarnados, redimindo-se dos pontapés menos certeiros ou finalizações mais atabalhoadas. O Martins, estava danado para marcar, com os primeiros projecteis a embaterem em barreiras humanas, haveria de atingir o alvo, na segunda parte, com um tiro seco e bem direccionado (mas é preciso que não esteja tão sobressaltado).

O Aimar não teve nem o espaço nem a inspiração que é costume, tal como o Saviola, que não soube contrariar da melhor forma a defesa, eles também já estariam mais que avisados, mas sobrou-lhes em demasia o Di Maria pela frente, esgravulha e endiabrado, fazendo o gosto ao pé num lance rápido e cheio de objectividade. Não é muito costume o Di Maria ser tão poupado nas munições, mas o remate foi indefensável.

O Ramires que tem corrido maratonas, ainda foi chamado para fazer uma prova de meio fundo, consolidar o apuramento; o Kardec estreou-se com boa pontaria e convicção, apenas precisa de calibrar mais um pouco a sua qualidade, afinar a mira...

O Bruno ainda quis estragar a festa, apontando o penalti, após o lance duvidoso do David (mesmo que se aceite, também houve um lance de mão, apesar de não ter o mesmo aparato). Claro que com a sua impetuosidade, é como a história da bilha vai à fonte (acabou por impecilhar na subjectividade da opinião de um árbitro de Braga), mas ainda bem que o Benfica teve o engenho e a sobriedade para repor o marcador, infringindo mais uma derrota a este arrumado e defensivo Rio Ave, seguindo em frente na conquista deste importante Troféu.

O Guimarães eliminou o Benfica, da tradicional Taça, o Rio Ave pô-los borda-fora, na ronda que se seguiu, e o Benfica afastou os dois desta competição. Mesmo que tenhamos que jogar fora na fase final que se segue, o Estádio da Luz está de repouso, depois de termos começado o ano, dia 3 com a vitória sobre o Nacional, vamos regressar à Catedral no próximo fim de semana, dia 30 de Janeiro para jogar a próxima jornada com o Vitória de Guimarães.

Não fosse o jogo de amanhã, contra a pobreza, onde vão pisar o relvado, antigas vedetas, craques que tratam a bola e pisam a relva como ninguém, tudo não vai passar de uma partida com um bom "feeling" e louváveis propósitos..., para lá da boa execução e do bom futebol, o estádio da Luz, no mês de Janeiro esteve praticamente em pousio e já temos saudades das noites gloriosas, de alegria e bom futebol…

O Luisão é a voz de comando, de uma armada empenhada e moralizada, que vai tentar alcançar a terra prometida, com muito arrojo, sacrifício, a sorte e a ventura de Jesus, pois só para além da dor é que se atinge o fulgor e as bençãos de Deus...

domingo, 17 de janeiro de 2010

Nova aventura dos 5... no Funchal!








Marítimo 0:5 Benfica

O ano vai envelhecendo as nossas vidas com Janeiros, o Inverno rigoroso vai escrevendo ou relembrando memórias passadas, a terra continua rodando trimestralmemte em busca do equilíbrio e da fertilidade…

Depois do temporal a pique em terras vimaranenses, a meio da semana, a chuva foi diminuindo de irreverência e intensidade, apesar do final de semana ainda um pouco cizudo, enigmático quanto às suas reais intenções…

Ainda assim, vigiados pela impenetrável abóboda, seguimos os costumados rituais, atracamos despreocupadamente no cais para repouso duplo da exausta expedição de cinco dias pelo mar revolto do quotidiano. Reabestecemos a moral, reorganizamos os pensamentos e redefenimos trajectos e ambições...

Comecei por cuidar do corpo, aproveitando o ar fresco da mata, circulando pela natureza verdejante, serpenteando como vento, pelo circuito de manutenção, qual sublime liberdade… no cansaço final, a ofegante respiração oxigena a mente de leveza e satisfação...
O resto do Sábado foi preenchido com as semanais tarefas, acompanhando os catraios nas actividades desportivas, mimando os progenitores em troca do auxílio num pequeno gesto de gratidão, lembrando entes queridos e seus aniversários ou visitando parentes, convivendo na acalmia do porto da tranquilidade…

O Domingo, começa sempre mais tarde, desligam-se os despertadores da preocupação, os horários das Eucaristias vão-se desdobrando pela manhã e, quais nómadas, não somos fiéis apenas à nossa paroquial comunidade…
Apreciamos os diferentes lugares de culto e eloquentes pregações, buscamos sem compromisso e pretenciosismo o reencontro com Deus, deixamo-nos guiar pelo divino, admirando em simultâneo a magnificiência e a imponência do templo… sem esquecer o interlocutor mais inspirado, para crescimento da nossa fé!
Claro que em todas estas incursões pelo sagrado, existe sempre um factor de desestabilização, é dificil controlar os ímpetos dos filhos, tantos motivos de distracção, mas vamos tentando seguir o trilho, dando-lhes as mãos…

O céu permaneceu tristonho, seco e cansado do choro contínuo, fazendo das nuvens suas reféns. Assim, não foi possível ver o arco da aliança que Deus estabeleceu com os Homens, mas é tempo favorável para a compenetração, fazer pactos de confiança e relacionamento com Deus e com os outros, fazermos tudo o que Ele nos disser!
Depois de tantas imagens horríveis no meio da tragédia haitiana, percebemos o quão circunspecto é o nosso olhar, o quanto restricta e complexada é a nossa interactividade com o próximo, quinada de orgulhos e preconceitos…

Mas este Domigo cinzento, abençoado e jubiloso, haveria ainda de oferecer uma inesperada actividade de lazer, um momento de alto de cultura e espiritualidade. Assistimos à magnífica peça de teatro, protoganizada pela companhia de teatro de Almada, com variados actores conceituados, que levaram à cena “A Mãe”, de Bertolt Brecht. Retratava a dura travessia social passada no início do séc XIX, na Russia Czarista e totalitária, numa crescente e envolvente história real, tomada de consciência e cumplicidade com a revolução, em que se viram envolvidos os operários daquela época, com particular incidência na vida de miséria duma humilde viúva e seu filho, que com o passar dos anos se tornaria numa activa e influente partidária de uma nova utopia para aquela sociedade.

Com este espisódio, aprendemos que é mais fácil acomodarmo-nos à política vigente do que lutar firme e tenazmente pelos ideais, mas quem se aventura audaciosa e genuínamente por um sonho ou aspiração, mesmo preso ou encontrando a morte numa qualquer bala do destino, realiza nesse gesto e atitude a mais gratificante das missões humanas. A Mãe, mesmo depois de desprovida do amor e presença física do seu filho, sentiu-se determinada e feliz, mais do que nunca sentiu na cumplicidade de uma causa comum, uma eterna felicidade…

Depois da comoção, não são ocupações lúdicas muito banais no nosso trajecto de ensinamento e educação, as horas entraram pela noite, aproximava-se muito rapidamente o jogo do Benfica, o verdadeiro momento de êxtase da minha vulgar carreira cultural, motivo para tanta incontrolada emoção… Passámos pelo espaço de baby-siter contratado, tudo a custo zero, a família é para isto que serve, repartem-se agradecimentos, afinal o convívio é salutar, e voamos para casa, cheios de leveza no ser, começando lentamente a descer à terra, à medida que crescia o receio do Benfica não estar numa boa noite e tudo em começar outra vez a desmoronar…

O orçamento lá de casa também teve que passar por negociações antes de ser aprovado, a Sporttv foi parte da cedência para alcançar um mais estruturado equilibrio e só me restava visualizar o jogo através da rede sem fios, no meu companheiro inseparável chamado computador. Abri e fechei janelas, pesquisei e cliquei links, os minutos do relógio no canto inferior esquerdo não ligavam aos toques das teclas nem à espera do retorno dum sinal, no meio do desespero e da tortura lancei-me derrompante para os botões do rádio, para saber notícias, saber o que se passava lá longe no Funchal.

O nervosismo não acalmou, com o relato da fraca produtividade do Benfica e da superioridade do Marítimo mas, finalmente, quase em simultâneo com a chegada das primeiras imagens, pois que de vídeo tinha muito pouco, surge o golo do Saviola, por volta meia hora, e numa reviravolta alucinante, segue-se a expulsão e o 2º golo doMaxi que quase atirou por terra toda e qualquer ambição caseira. Ao cair do pano do intervalo, com todo aquele inesperado golpe de teatro, surge o goleador Cardozo a facturar mais um golo para a sua contabilidade.

Mudou aos 3, mas não haveria de acabar aos seis, pois que as balizas até nem pareciam pequenasmas a excitação era muita, o bichinho já está entranhado no sangue, já não consigo passar, sem ver o Benfica na Tv, e eu juro que fiz um penoso esforço, e a vitória para mim já bastava, se fosse inevitável enfrentar a abstinência...

Mas o meu ideal fez-me sair de casa, e fui encontrar-me com os camaradas de armas, os que amam o Benfica, o povo que anseia pela sua libertação, pelo título de campeão no final desta ardua caminhada…

Fui beber café, portador de alguns panfletos que fazem alusão à conquista do campeonato, pelo Benfica, juntei-me despercebido no oculto da multidão, contribuindo para dinamizar esta onda crescente de entusiasmo e rebelião, misturei-me com o povo, essa imensa classe operária, desejosa de reinvendicar os seus direitos, como em todas as épocas, gritar bem alto: “o Benfica é campeão”.
Claro que do jogo poderei dizer muito pouco, o écran estava distante mas, com tão avolumado resultado já não importava tanta precisão, não se torna necessário esmioçar todas as evidências, analisar os lances em camara lenta, eventuais erros ou humana indecisão…

O Braga não mostra fraquezas, obreamos na liderança, mais distantes do terceiro, à espera do tropeção ou do tombo arsenalista, para nos destacarmos definitivamente na liderança...

Força Benfica!